Menú de apoio selecione para saltar este menú

Menú princial selecione para saltar este menú

 

 

História

História do ISLA nos primeiros 26 anos (1962-1988)

Extracto do discurso do Fundador Prof. Doutor António Augusto Gonçalves Rodrigues.


"...Every intellectual revolution wich has been stirred humanity into greatness has been a passionate protest against inert ideas."
"...There is only one subject-matter in education, and that is life in all its manifestations. A. N. Whitehead, The Aims of Education." 

1.  A situação universitária em 1962.

Lamento que, ao tratar da fundação e evolução do ISLA - Instituto Superior de Línguas e Administração, SA, como estabelecimento pós-liceal, do ensino privado, eu tenha de ser tão insistentemente autobiográfico.

A verdade é que, a pequena revolução que o ISLA trouxe ao ensino em Portugal e as ideias que a formaram não foram colectivas, mas individuais.

E as circunstâncias epocais condicionaram não só a minha vida profissional como também o nascimento da instituição. A super-lotação das Faculdades de Letras a partir de 1952 tornou-se um agudo problema nacional, e pessoal também, dada a minha posição de Director da Faculdade de Letras de 1952 a 1956, Vice-Reitor da Universidade de 1956 a 1962, e durante largos anos responsável pela secção mais procurada, a de Filologia Germânica.

A primeira situação acumulava-a com a de Comissário Nacional da Mocidade Portuguesa, o que me conferiu a estatura política necessária para pôr problemas, recusar ou alterar soluções oficiais, ser elemento inspirador de uma política social do estudante universitário que veio a exprimir-se num amplo conceito de Cidade Universitária, do qual, em virtude do movimento estudantil de 1962, ficaram apenas a documentá-lo, do muito que se planeou, o Estádio Universitário, a que é hoje denominada Cantina Velha (então a melhor da Europa) e o edifício da Faculdade de Letras. Do resto (vasto plano de residências masculinas e femininas, Biblioteca da Universidade, Paróquia Universitária, etc.) não cabe aqui falar.
 
Virá apenas a aproveitar-se a ideia de lá implantar a Torre do Tombo.
 
Tudo depois de longas e vertiginosas viagens de estudo a quarenta e oito (48!) Universidades da Europa Ocidental que serviram de base a um longo relatório sobre os vários tipos de habitação estudantil e uma tentativa, que não chegou a concretizar-se, de elaborar um largo inquérito à origem social do estudante universitário, como já então se fazia em outros países e nunca mais ninguém se lembrou de fazer em Portugal.

Era então, como já disse, personalidade discutida, Vice-Reitor em exercício que, após a saída inesperada do Reitor Marcelo Caetano, me vi na dificílima situação de ter de defender a Universidade contra os naturais ressentimentos do Poder e este contra as investidas de uma juventude altamente politizada, fortemente apoiada em Conselhos de Faculdade e num Senado com ela solidários. Durou este calvário oito meses, em que julgo ter cumprido o meu dever, sem transigências com o Estado omnipotente nem com a anarquia contestatária.


2. O congestionamento das Faculdades de Letras.

Este rápido quadro histórico serve de prefácio indispensável ao tratamento do tema. Porque, no fervilhar de projectos no plano oficial, punha-se com extrema agudeza, mesmo depois da construção do actual edifício, o problema da excessiva afluência de alunos às Faculdades de Letras, particularmente à de Lisboa, e nesta às secções de Línguas, com especial incidência na de Filologia Germânica, que eu dirigia. Daí, uma longa reflexão sobre as razões sociais dessa afluência, particularmente a feminina, reflexão que serviu de tema a um discurso, minuciosamente documentado, à Assembleia Nacional.

E foi no ambiente de uma agitação universitária sem precedentes que eu lancei a ideia junto do Ministério da Educação Nacional - ideia que, em circunstâncias diferentes, não teria, presumivelmente, a menor probabilidade de aceitação.

A sua insólita originalidade constituia um ataque ao sistema monolítico tradicional, à falta de imaginação do Poder e uma tentativa para remediar a invasão descontrolada das Faculdades de Letras para a qual se procurava solução.

A situação era em muitos aspectos dramática: na relação professor-aluno, no tamanho descomunal das turmas, na insuficiência dos quadros docentes, no regime de exames, nas condições precárias e tumultuosas em que se processava o ensino.

Encontrar soluções capazes de serem bem recebidas pelo elemento feminino, particularmente responsável por esse congestionamento, tornava-se uma necessidade inadiável e um dos objectivos mais importantes de uma sólida política de educação.

Um grave problema social de natureza complexa em que se combinava o prestígio das línguas, sobretudo do inglês pela sua utilidade imediata, à situação sociológica num quadro de desenvolvimento económico em franca expansão.

Numa palavra: o problema da educação e emprego femininos a partir de certa camada social nas condições do mundo moderno dentro da linha de evolução progressiva do nível de vida em Portugal.

A frequência feminina do ensino superior registava uma média de 40,5% na Universidade de Lisboa, acima da média internacional, que rondava os 25%.

Extraidos estes dados fundamentais da exposição feita à Assembleia Nacional, equacionadas sucintamente as razões que provocavam o congestionamento das Faculdades por alunos que na sua maior parte não procuravam a carreira do professorado liceal mas apenas a aquisição de conhecimentos e prática linguística que lhes garantisse colocação de nível elevado, faltava definir as vias a propor à sociedade portuguesa - com o beneplácito oficial - para conseguir os mesmos e até melhores efeitos na conquista do ambicionado emprego.

Formar quadros intermédios até ali improvisados sem a menor referência pedagógica nos domínios linguístico e cultural, foi a primeira intenção.

O Estado, porém, firme nos seus conceitos estruturais e na sua defesa da dignidade universitária, ainda não admitia nos seues esquemas novas soluções profissionais.


3. Uma ideia inovadora.

Mas uma análise aprofundada da inadaptação do ensino superior das línguas às reais necessidades da vida prática conduziu a uma seriação de profissões que na realidade existiam e eram professadas sem níveis definidos de exigência ou escolaridade autorizada. Normalmente, o que as alunas pretendiam era uma solução de vida na banca, no alto comércio, na indústria, como secretárias, tradutoras, intérpretes. As Faculdades, porém, não estavam em condições de lhes dar essa preparação com a excelência desejável, que exigia multi-disciplinariedade em vez de especialização científica. A banca, a indústria e o alto comércio é que se viam obrigados a educá-las e treiná-las, pondo de parte os dialectos medievais e a cultura dos Anglo-Saxões... Porque não criar cursos com o conteúdo específico dessas profissões? Com a garantia de um corpo docente capaz, planos de estudo adaptados às suas exigências práticas?

Seria possível encontrar remédio, mesmo numa instituição particular? O ensino particular, normalmente de tipo confessional, só existia então a nível secundário e limitava-se, sem o menor espírito inovador, a ensinar aos alunos os programas oficiais e a levá-los a exame aos liceus.

E a cada uma das profissões projectadas corresponderia, com base no ensino intensivo das línguas, um plano de estudos próprio, portanto com cursos diferentes, e doseamento apropriado das matérias pertinentes.

Já a criação de uma instituição de ensino pós-liceal particular constituia audaciosa inovação. Um grupo de escolas ou cursos que procuravam satisfazer deficiências de ensino claramente diagnosticáveis era originalidade ainda maior.

Havia modelos estrangeiros, sem dúvida; mas integrados no ensino universitário, uns; outros, isolados, de pura iniciativa privada. Assim, aproveitou-se a experiência de instituições congéneres tais como escolas de secretariado e escolas de tradutores de Genebra, Paris, Milão, Gersheimer, Viena, Washington, Zurique.

Tornava-se porém necessário, atender a certas situações que derivavam da reforma do ensino secundário de 1947 e dele afastavam muitos jovens, pelo peso excessivo de certas matérias científicas (o aparelho anatómico da mosca, etc.).

Muitas alunas, filhas de diplomatas e já poliglotas embora sem educação formal, ou que tinham tido na infância professores nativos, constituiam uma zona apreciável a recuperar.

Daí pensou-se em criar um Curso Preparatório de dois anos, com o quinto ano dos liceus ou simples exame de aptidão em português e nas línguas escolhidas.

De maneira que o projecto inicial consistiu nos seguintes cursos ou Escolas:

  • Curso Preparatório,
  • Escola Superior de Secretariado (ESS),
  • Escola Superior de Tradutores e Intérpretes (ESTI),
  • Escola Portuguesa de Turismo (EPT) só concretizada dois anos depois,
  • Escola Superior de Organização Científica do Trabalho (ESOCT), dividida esta em:
      • Curso de Gestão de Empresas e
      • Curso de Gestão de Recursos Humanos e Psicologia do Trabalho.

 
4. O apoio oficial.

A fundação do ISLA, porém não teria sido possível sem a compreensão e claro patrocínio do então Presidente da Junta Nacional de Educação, Dr. João Alexandre Ferreira de Almeida, personalidade de enorme prestígio no Ministério da Educação Nacional e seu mais alto funcionário. À sua preclara inteligência se ficaram devendo os estímulos iniciais, depois de longas trocas de impressões sobre a situação do ensino superior em Portugal. O seu patrocínio foi decisivo para a aprovação dos planos de estudo e funcionamento do ISLA com as alterações que posteriormente vieram a ser-lhe introduzidas para poder ser reconhecido como estabelecimento particular de ensino superior, logo homologado pelo então Sub-Secretário da Educação, Dr. Carlos Eduardo Bastos Soveral.


5. A adesão da sociedade.

Encontrado um prédio na Estrada de Benfica onde com modesto capital emprestado se fizeram obras de adaptação a fins escolares (seis salas - hoje mais de quarenta), lançou-se uma pequena campanha de publicidade em termos originais: Uma Carreira Para a Sua Filha; Uma Carreira Para o Seu Rapaz, que trouxe resultados inesperadamente favoráveis.

O grande objectivo global da iniciativa, no campo das línguas como no da Administração, era estabelecer laços concretos da Escola com a Sociedade, colmatar carências, modernizar estruturas, criar carreiras de formação exigente e criteriosa, a fim de atingir objectivos sociais relevantes.

A actividade pedagógica seria apoiada por uma biblioteca especializada (hoje com cerca de 15.000 volumes) onde figuram as mais importantes enciclopédias nacionais e internacionais e um serviço de reprografia para professores e alunos.

A originalidade da iniciativa surpreendeu a capital e o país, e provocou um movimento de adesão que, em vez dos cinquenta alunos previstos, registou uma inscrição de duzentos, logo de entrada.

O que fora uma iniciativa individual teve de institucionalizar-se no segundo ano (1963) por força da expansão verificada. E assim surgiu uma sociedade anónima em que uma das sociedades do Banco Borges & Irmão tomou a maioria, e permitiu a aquisição de um edifício próprio na Rua do Sacramento à Lapa (1963) de outro na Rua das Praças (1966) um terceiro recentemente adquirido na Rua da Lapa (1986) além de um andar alugado na Av. da República.

O dispendioso equipamento, constantemente renovado e actualizado, de dactilografia, reprografia, etc. que anualmente tinha de aumentar com a criação de novas turmas, assim como o recrutamento crescente de pessoal administrativo distribuído por quatro instalações separadas, não tornaram o ISLA um negócio rendoso.

Os modestos lucros, sempre pesadamente tributados pelo Estado, eram, e continuaram a ser, normalmente reinvestidos em novas instalações, equipamento ou actividades de natureza cultural, viagens de estudo no estrangeiro, etc..

Um ano houve com prejuízo, quando o governo resolveu em 1975 aumentar os vencimentos do pessoal administrativo três vezes no mesmo ano lectivo!


6. Profissionalismo e Cultura.

Cada Escola, porém, é uma entidade pedagogicamente autónoma, cuja evolução merece referência especial, tendo sempre em conta que o ISLA não pretendia ser apenas um Instituto de formação profissional, mas sim que essa formação se inserisse num plano educativo de que a cultura geral fosse parte integrante. Não apenas um treino, portanto, mas sobretudo uma educação. Nunca quis confundir-se com um mero Instituto de Línguas. Propôs-se sempre formar profissionais cultos, conhecedores do mundo contemporâneo, das suas crises e dos seus valores fundamentais.

A História, a Geografia, a Arte, os Movimentos de Ideias, as Instituições Contemporâneas, por um lado; as grandes Línguas da cultura e do desenvolvimento económico, por outro.

Ideia até aí nunca concretizada em Portugal, que fez do ISLA nos seus 26 anos de existência uma criação sem paralelo, que eu saiba, na Europa, que durante 23 anos nunca pediu ao Estado nem dele jamais recebeu, o menor subsídio.

Mas que ao mesmo Estado poupou centenas de milhares de contos, proporcionando-lhe e à sociedade portuguesa, quadros intermédios e poupando-lhe o que ele gastaria em edifícios, funcionalismo e docência, na educação dos milhares de alunos que lá receberam uma educação de forte sentido prático e moderno.


7. O Corpo Docente.

O recrutamento do Corpo Docente na Divisão de Línguas não oferecia dificuldades. Convidados professores, assistentes e leitores da Faculdade, o seu prestígio pessoal e profissional contribuiu largamente para o êxito da iniciativa.

Sem desprimor para ninguém, permito-me destacar nomes (muitos dos quais fazem hoje parte do escol da intelectualidade portuguesa como os dos Professores Fernando de Melo Moser, José Vitorino de Pina Martins, Jorge de Morais Barbosa, David Mourão Ferreira, João Flor, Júlia Dias Ferreira, Teolinda Gersão, Irene de Albuquerque, nas línguas; como o Professor Jorge Borges de Macedo, na História; do Dr. José Sérvulo Correia, no Direito; do Dr. Francisco da Cunha Leão, na Geografia.

E ainda leitores de nacionalidade francesa, inglesa e alemã, técnicos de tradução e interpretação, de secretariado, dactilografia e estenografia.

Alguns já faleceram. De todos, o mais lamentado foi sem dúvida o Professor Fernando de Melo Moser, que durante muitos anos acompanhou a vida do ISLA com uma dedicação e uma proficiência excepcionais e só o largou ao ser nomeado Presidente do Instituto de Cultura e Língua Portuguesa.

Mas discriminemos por escolas.
 

8. A Escola Superior de Secretariado (ESS).

A Escola Superior de Secretariado iniciou a sua actividade em 1962 com o Curso de Secretária Correspondente, com a duração de dois anos. O 1º ano do curso era comum à Escola Superior de Tradutores e Intérpretes, sendo o 2º ano de especialização para a obtenção do diploma.

No ano de 1968, o curso é autonomizado passando a ter um plano de estudos próprio nos seus dois anos. Os ensinamentos colhidos pela experiência foram obrigando a que se fizessem vários ajustamentos curriculares ao plano de estudos. Porém, em 1975, é feita uma quase completa reestruturação do curso.

Assim, o curso passa a ser de três anos e a designar-se por Secretária de Administração . Estas alterações visam não só obter uma melhoria mas também o reconhecimento oficial, pela autoridades portuguesas, do curso a nível superior.

Através do Despacho 127/MEC/86 de 26 de Junho de 1986, foi atribuída a equivalência ao grau de bacharelato aos diplomados pelo curso que desde então se passa a denominar Curso Superior de Secretariado .

A procura no mercado do trabalho tem sido intensa e as secretárias são geralmente muito bem remuneradas. O ISLA organizou dois Congressos de Secretárias Profissionais nos quais nos deram a honra de colaborar figuras eminentes no campo da Educação como o Prof. Fraústo da Silva e o Engº Roberto Carneiro, com o lisongeiro patrocínio de grandes firmas como Mobil Oil, União de Bancos Portugueses e outras.


8.1. A ESA - European Secretarial Academy.

Por despacho de 30 de Abril de 1971, o Sub-Secretário de Estado da Administração Escolar, o ISLA é autorizado a ingressar, e ser seu representante em Portugal, na Federação Internacional das Escolas Superiores de Secretariado, que posteriormente assumiu o título de ESA (European Secretarial Academy).

Associação apolítica e sem fins lucrativos foi fundada em Genebra em Julho de 1964, com o objectivo de definir os atributos de uma Secretária Europeia, e "atingir uma cooperação mais estreita entre os países Europeus com os objectivos dos Estados membros do Conselho da Europa".

Na ESA se harmonizam os métodos de ensino, as matérias e programas de cada Escola, com vista a criar um programa base, válido a nível internacional que permita aos alunos receber o diploma de Secretária Europeia, depois de prestarem provas perante um júri internacional, diploma já reconhecido como comprovatvo de curso superior em vários países da Europa, e geralmente aceite no mundo dos negócios.

Os exames realizam-se numa escola associada de qualquer país membro, e os júris têm carácter multi-nacional, pelo que vários docentes do ISLA se têm deslocado para participarem nos exames desde a Noruega à Austria. O ISLA é o representante em Portugal, e a nossa delegada Nacional foi durante anos Vice-Presidente da Organização.

Nos países membros da ESA os diplomas são reconhecidos como de nível superior.


8.2. A Escola Portuguesa de Turismo (EPT).

A Escola Portuguesa de Turismo foi lançada no ano lectivo de 1964-1965 como resultado da análise da situação em Portugal, em busca de novas vias profissionais cuja necessidade na actividade turística começava a evidenciar-se.

Para o plano de estudos muito contribuiu o Prof. Fernando de Melo Moser, já com longa experiência nesse campo, aliada à minha própria, adquirida em visitas a escolas desse tipo existentes na Austria e na Itália.

O curso prepara profissionais para guias-intérpretes, correios de turismo, técnicos de viagens, agora equipados com conhecimentos de Etnografia, História de Arte, etc.. Além dos de natureza técnica que o exercício da profissão viria a exigir, e a prática das línguas.

Tendo iniciado a sua aventura pedagógica apenas com dez alunos, atingia os cem em 1970/71 e desde o ano lectivo de 1979/80 mantem uma frequência média de 300 alunos.

Frequentada até este último ano por 2355 alunos, diplomou 634, hoje espalhados por todas as empresas turísticas do País.

A sua preparação no estudo e práticas das línguas, nas matérias de índole técnica e numa cultura geral adequada às exigências da profissão, tem proporcionado a esta área de enorme interesse económico, os quadros intermédios sem os quais as relações humanas indispensáveis nesta actividade tão sensível aos contactos pessoais sofreriam graves deficiências.

Foi mais uma inovação arriscada que introduziu critérios de competência e exemplaridade, e que efectivamente veio satisfazer uma necessidade nacional que hoje se manifesta com acrescida acuidade em face do desenvolvimento actual da Indústria Turística. Regiões até agora desprezadas reclamam igual preparação de guias-intérpretes, correios de turismo, técnicos de viagens.

Zonas importantes como a do Minho, as regiões Transmontano-Duriense e Oeste, ávidas de participação no novo processo de condição europeia desencadeado pela nossa adesão à CEE, vêem-se impedidas por uma legislação incoerente e desactualizada de solicitarem ao ISLA a colaboração que se lhes não negaria.

A formação de quadros é imprescindível para o desenvolvimento de novas regiões turísticas. Mas as dificuldades legais derivam de critérios de defesa de interesses corporativos, que condicionam a liberdade de ensinar e de aprender que a Constituição determina.

O Curso de Guias-Intérpretes (dois anos para os alunos com o Curso Geral dos Liceus; um ano para os alunos com o sétimo ano de Letras) compreendia disciplinas básicas (Relações Humanas, Geografia Turística, Etnografia e Folclore, História da Cultura Ocidental, Itinerários Turísticos, Artes Decorativas; e disciplinas complementares (História da Cultura Portuguesa, História da Arte), num total de 15 horas semanais.

O Curso de Correios de Turismo incluia disciplinas de Técnica de Viagens, Propedêutica Económica e Transportes, com noções de legislação turística.

Do curso de Técnicos de Viagens, além das disciplinas de carácter geral faziam parte disciplinas sobre Contabilidade e Economia.

Integradas em qualquer destas modalidades de formação turística, havia Viagens de Estudo a vários pontos do País com participação financeira muito reduzida dos alunos, e sempre acompanhados por professores.

8.3. A Escola Superior de Tradutores e Intérpretes (ESTI).
A profissão de tradutor em Portugal era (e é) exercida sem qualquer referência de tipo académico, assente numa base de proficiência individual e no crédito acumulado por longa experiência de resultados válidos. Este continua a ser um critério aceitável para os raros que conseguem plena aceitação na opinião pública.

Mas a tradução é uma actividade multiforme, com especializações variadas, para as quais se torna necessário estabelecer bases concretas de formação.

Do romance policial a um texto notarial, vai um mundo de diferença. Os estilos e os vocabulários também variam: literário, crítico, jornalístico, científico, tecnológico, e estes em inúmeras variantes.

Daí a complexidade dos aspectos a considerar na definição de um plano de estudos que vise dar as bases (só estas, porque o resto virá com o prolongado exercício da arte) de uma formação profissional razoável.

No mínimo, o conhecimento aprofundado das línguas escolhidas, conjugado com o da língua para a qual se traduz. Nas Faculdades de Letras, o ensino incide sobre literatura e história da literatura, textos antigos e modernos. O tradutor profissional tem de se iniciar no vocabulário básico de várias áreas do conhecimento antes de se especializar. E possuir uma cultura geral muito ampla, que abarque a história universal, o mundo contemporâneo, suas instituições e correntes de pensamento. E familiarizar-se com instrumentos de trabalho imprescindíveis, como enciclopédias e dicionários gerais e especiais, estes de enorme variedade, que abrangerão o vocabulário técnico, económico, jurídico, psicológico, marítimo, médico, científico, linguístico, filosófico, etc., etc..

Concentrar em dois anos esta difícil iniciação constituiu problema para o qual a solução encontrada sempre se considerou pouco satisfatória, dada a complexidade dos elementos formativos necessários. Mas era já por si, em 1962, inovação temerária, uma primeira tomada de consciência e definição de exigência mínima para o exercício de uma profissão de enorme responsabilidade social.

Vinte e seis anos de vivência pedagógica suscitaram alterações periódicas de actualização ou por adopção de critérios preferíveis. Os planos de estudo actualmente em vigor, embora fundamentalmente idênticos (mas com três anos de escolaridade) incluem novas disciplinas ou exibem diversa carga horária.

O que ao público se ofereceu então, e constituiu assinalável novidade, visava a formação de: Tradutores para os serviços públicos (Ministérios, organismos económicos, Forças Armadas, candidatos aos serviços Diplomáticos e Consular). Tradutores literários para as agências noticiosas, editoriais, imprensa, rádio e televisão. Tradutores científicos para congressos internacionais e centros de investigação. Correspondentes para a banca, o comércio e a indústria, rede hoteleira, companhias de navegação. Intérpretes para congressos e conferências.

Nos planos de estudo adoptados, verificava-se no conjunto a coexistência de uma forte preocupação de especialização profissional com outra de ampla formação (e informação) cultural, histórica e contemporânea. Para o ensino das línguas, e seguindo a voga então em vigor no estrangeiro, adquiriu-se um laboratório de línguas (o primeiro em escolas portuguesas). Após alguns anos de experiência, verificou-se que os alunos provenientes dos liceus vinham mais bem preparados do que os alunos do nosso Curso Preparatório.

O auxílio do laboratório, excelente para fins teraoêuticos de correcção de pronúncias defeituosas, provou ser eficaz para línguas totalmente desconhecidas (holandês, sueco, p.ex.), mas a experiência aconselhou o seu abandono, para as já professadas no ensino oficial, dando preferência ao recrutamento de leitores de nacionalidade.

Por outro lado, a formação de intérpretes de conferência, para a qual se adquiriu dispendioso material e se prepararam cabines especiais, tornou-se impraticável com os fracos recursos financeiros de que se dispunha - propinas e nada mais. Ao terceiro ano especializado só tinham acesso alunos altamente classificados, naturalmente em número reduzido - e o corpo docente reclamava vencimentos que tornavam a iniciativa totalmente inviável.

Mas ainda hoje duas ou três intérpretes de conferência formadas pelo ISLA e altamente reputadas, se mantêm no circuito internacional.

Todavia, o problema da formação de tradutores é hoje mais preocupante do que nunca. A entrada de Portugal na Comunidade Económica Europeia tornou o português uma das suas línguas oficiais, com a abertura de vagas para as funções de tradutores e intérpretes como agentes prioritários da comunicação internacional.

Muitas Universidades Europeias possuem Departamentos de Tradução com forte incidência linguística e conferem graus de licenciatura.

O ISLA tomou a iniciativa da organização de um Congresso Nacional de Tradução em Dezembro de 1988 com o patrocínio do Ministério da Educação que trouxe a Lisboa numerosos professores europeus e americanos, elementos dirigentes da CEE e universitários portugueses de renome.  


9. Divisão de Administração.

9.1. Escola Superior de Organização Científica do Trabalho (ESOCT).

A ESOCT constituiu uma das mais arriscadas iniciativas, mas que sempre considerei como de necessidade nacional. A análise de carências de que o país sofria no plano educativo levou-me a aceitar uma sugestão no sentido de lançar paralelamente aos cursos de base humanística um outro de natureza francamente administrativa. Efectivamente, o desfasamento verificado entre os antiquados planos de estudo das escolas superiores oficiais e a realidade e exigência de uma sociedade moderna, estava reclamando a intervenção de um espírito inovador.

Assim, depois de garantida a colaboração de um responsável científico, o Professor Dr. Mário Soares Madureira, recrutou-se um corpo docente entre profissionais do alto comércio e da indústria e outros elementos de elevado nível cultural para a variante de Psicologia do Trabalho, orientada pelo Professor Ferreira Marques. A ESOCT, curso pós-laboral, teve logo de início a surpreendente inscrição de directores de empresas, oficiais superiores da Força Aérea e outros que procuravam as bases da prática que já lhes era familiar.

E os seus programas, disseminados em folhas volantes, foram logo apropriados (se é essa a palavra) pelo Ministério das Corporações que, a pretexto de formar funcionários seus, lançou os planos do que é actualmente o Instituto Superior do Trabalho e da Empresa, ao Campo Grande.

Foram cursos altamente deficitários durante nove anos, aguentados pelo êxito dos cursos de línguas. Com fé e tenacidade assinaláveis, colhemos hoje os respectivos frutos. A ESOCT é hoje, nos seus três cursos (Gestão de Empresas, de Recursos Humanos e de Informática de Gestão) a mais frequentada das duas divisões.


9.2. A Escola Superior de Meios de Comunicação Social.

Em resultado de um Congresso Internacional de Publicidade, realizado em Lisboa em 1972 (?) sugeriu-se a criação de uma Escola de Publicidade. A ideia mereceu a atenção do Dr. Miguel Quina, então Presidente do Banco Borges & Irmão e da Assembleia Geral do ISLA, que me pediu que estudasse o assunto. Em colaboração com um técnico de informação, cedo se concluiu pela sua inviabilidade prática.

Eu, porém, vi aí a possibilidade de resolver um problema muito debatido e que hoje continua ainda a sê-lo. O plano tornava-se viável reunindo vários cursos de franco interesse nacional, aliando a publicidade ao jornalismo, às relações públicas e à formação de locutores de rádio e televisão.

Requereu-se autorização ao Ministério da Educação, que o reteve durante um ano em estudo na Junta Nacional da Educação, e acabou por propor a homologação ao então Sub-Secretário da Educação, Engº Abreu Faro, que a deferiu na ausência nos Açores do Ministro Veiga Simão.

O plano de estudos vinha resolver, a nível universitário, a debatida questão.

Vários eram os concorrentes: o SNI, o Sindicato dos Jornalistas, o Instituto de Política Ultramarina, e não sei quem mais. No plano do ISLA era uma escola de nível universitário a partir do 7º ano do Liceu com predomínio para a formação cultural e a correcção literária, e só no último ano se previa a prática jornalística, com a colaboração de profissionais categorizados. O promotor era já proprietário de três jornais diários de Lisboa e Porto e financiou a iniciativa que foi lançada com grande êxito sob a direcção do então Director do "Diário Popular" e de um competente corpo docente. Chegou mesmo a oferecer 17 bolsas de estudo aos jovens jornalistas que ali trabalhavam.

Mas ficaram desaproveitadas porque só dois tinham concluido o curso Liceal.

A oposição que o Sindicato moveu junto do Ministro que, em conversa que eu ignorava, lhe dera esperanças para idêntica iniciativa de orientação muito diferente, criou dificuldades que sem impedirem o funcionamento da Escola (a primeira fundada em Portugal), me levou a afastar-me do empreendimento.

Esse continuou durante alguns anos, para além do movimento do 25 de Abril, já sem financiamento particular, arrastou uma vida precária em instalações do ISLA que perdeu uma quantia considerável em rendas não pagas e transferiu-se para a Faculdade de Letras onde tranquilamente se extinguiu.

De vez em quando ainda surgem na imprensa cartas de antigos diplomados a lembrar as habilitações ali adquiridas.

Hoje funcionam vários cursos em Lisboa e no Porto. Mas a primeira iniciativa partiu de facto do ISLA que a concretizou e a fez funcionar durante alguns anos, apesar de haver quem reivindique prioridades fantasiosas.


9.3. Curso Superior de Informática.

Já nos cursos da ESOCT, de Secretariado e Tradutores se haviam incluido há muitos anos cadeiras de iniciação à Informática, com docentes habilitados pela prática no sector industrial. O preço do material, no entanto, era proibitivo e o lançamento de um curso próprio só se tornou possível com o aparecimento do microcomputador, de preço já acessível.

Assim, e diga-se que com certas dúvidas quanto aos riscos da nova iniciativa, lançou-se em 1983 no âmbito da ESOCT um Curso Superior de Informática em cinco anos e a partir do 12º ano, na expectativa pessimista de ser possível constituir uma turma.

Foi agradável surpresa a inscrição de cem alunos. Estava certa a presunção de que a oferta de um curso pós-liceal, até então inexistente, correspondia, mais uma vez, a uma clara exigência social.

O curso teve naturais vicissitudes docentes e administrativas, mas encontra-se hoje perfeitamente equipado em material e no sexto ano de funcionamento.

A afluência de alunos obrigou até à aquisição de um outro edifício e sua dispendiosa adaptação com pesados compromissos financeiros, na persuasão de que estamos preparando para o serviço do País e do Estado os futuros candidatos, tanto às empresas como ao ensino secundário, que inevitavelmente terá de os aproveitar um dia na docência deste tipo de ensino.

Frequentam hoje essa Escola quinhentos alunos, que nos obrigaram ao recrutamento de especialistas universitários de sólido prestígio. O esforço financeiro foi considerável, mas necessário. Talvez um dia seja reconhecido pelo Estado que nos considera, para efeitos fiscais, uma mera indústria, ignorando os efeitos sociais da formação que o ISLA há 26 anos vem proporcionando a milhares de jovens portugueses, para quem definimos carreira, e damos eficaz orientação profissional.


10. Graus Oficiais.

Ao longo dos anos tem sido grande a pressão dos alunos no sentido de conseguir o que eles chamavam uma "oficialização". Considerava-se, porém, que o mercado de trabalho era o verdadeiro juiz da eficiência do ensino, e as colocações nunca faltavam; pode dizer-se que não há desemprego em diplomados do ISLA.

Recentemente, porém, com o crescimento da frequência, aumentou a pressão no sentido de se conseguir no fim dos cursos a equivalência aos graus de licenciatura e bacharelato, conforme a sua duração e natureza. Ao fim de quatro anos de longas e trabalhosas diligências junto do ME e de rigorosas inspecções, deferiu este pedido.

Assim, têm agora equivalência ao grau de licenciatura os futuros diplomados da ESOCT (Gestão de Empresas e Gestão de Recursos Humanos) e de bacharel aos de Secretariado, Turismo e Tradutores. O curso de Tradutores reclama revisão urgente, perante as perspectivas abertas pela nossa adesão à CEE e exigências necessariamente mais rigorosas da preparação linguística dos candidatos. A nova situação assim criada vem alterar por completo a relação ESTADO-ISLA. Até aqui, tratava-se de uma instituição autorizada a funcionar com planos próprios, devidamente aprovados. A partir do ano lectivo de 1985/86, a legislação confere direitos mas exige igualmente uma grande reestruturação orgânica, suscitada pela exigência (Decreto-Lei 100/85) de um Conselho Científico-Tecnológico constituido por individualidades com o grau universitário de Doutores, e com as competências que o dito Diploma lhe confere sobre recrutamento de corpo docente e aprovação de programas. É a autoridade académica por excelência, vigilante quanto à qualidade do ensino e aos critérios pedagógicos e de selecção.


11. Regionalização.

A partir de 1975, a já considerável frequência de alunos do ISLA provenientes da província começou a declinar, por motivos óbvios, embora na generalidade ela tivesse aumentado em Lisboa.

A ideia de descentralizar ou regionalizar o Instituto começou a tomar forma. Considerava-se que grande parte dos prováveis candidatos a cursos da natureza dos que o ISLA oferecia não tinham já condições económicas para se instalarem em Lisboa. Por outro lado, o estabelecimento dos numerus clausus deixava à deriva camadas de juventude em situação de desemprego. Era socialmente aconselhável a implantação do ISLA em centros pedagógicos relevantes, onde a possibilidade de encontrar instalação apropriada se aliasse à existência de um corpo docente para o tipo de curso mais adequado à população escolar local, particularmente a feminina, e contando com a possível colaboração das autarquias. Sondagens numerosas não favoreceram a ideia, geralmente por falta de instalação.

A primeira tentativa fez-se em Santarém, onde se criou uma sociedade com um industrial também interessado no ensino das línguas.

A seguir veio Bragança, minha terra natal, capital do distrito mais deprimido da Europa. A exposição que dirigi ao Presidente da Câmara, depois de conversa prévia com o Bispo da Diocese, que me garantiu a cedência de um andar do antigo Colégio S. João de Brito por uma renda modesta, foi recebida com simpatia. A Câmara, compreendendo o alcance da proposta que abria novas perspectivas à juventude local, pôs à disposição todo o material escolar (sua propriedade) necessário para ali lançar uma Escola de Secretariado.

Por sua vez o ISLA arrojadamente iniciou um curso de Informática.

Estes cursos provinciais mantêm-se em ligação com a sede, orientados por um Conselho Científico próprio e pela Direcção Pedagógica central com grande trabalho e despesa em viagens e estada, várias vezes por ano. Naturalmente, só ao fim de três anos se pôde fazer uma ideia da modesta viabilidade económica dos empreendimentos. Mas entende-se como serviço nacional de maior importância para populações escolares com raras saídas profissionais para os que não possam, por falta de meios, frequentar centros universitários. Aguardamos neste momento o resultado de negociações em curso em relação ao Porto. Viseu é de considerar. 


Palavras Finais.

Longo foi o caminho andado em vinte e seis anos de absorvente actividade. Durante esse período, não faltaram vicissitudes, recuos, e alterações programáticas. O Estado só há poucos anos deu pela nossa existência, ao proclamar a necessidade do ensino politécnico e verificar que ele já de facto existia há muito na zona coberta pelos cursos do ISLA. Acentuada pela ambição dos alunos, fascinados pelo mito do clássico "canudo", a proliferação patológica de Universidades privadas, "como dentes de Cadmo desparzidas", veio criar novos problemas ao ensino superior em Portugal, aos contribuintes que têm de pagar o ensino de todos quantos conseguem passar pelo filtro do "numerus clausus", aliás bem necessário, e de pagar também as propinas dos filhos regeitados pelo sistema, obrigados a procurar o ensino particular.

Dupla tributação, que sacrifica inúmeras famílias ansiosas de garantir aos filhos uma profissão digna. O Estado terá de corrigir essa situação clamorosa, garantindo efectivamente o direito constitucional de aprender, estabelecendo um sistema universal de bolsas de estudo para todas as escolas, oficiais ou particulares, e garantindo aos alunos destas todas as regalias de que os outros gozam e todos nós pagamos. A legislação, agora agravada, impeditiva da acumulação dos professores das escolas estatais com as instituições privadas, afecta necessariamente o nível de ensino destas; e o argumento de que elas devem criar o seu próprio corpo docente ignora as facilidades que o Estado oferece aos seus candidatos com longa permanência em centros científicos no estrangeiro, com o custo de edifícios, bibliotecas, material didáctico, laboratórios e informatização. Por outro lado, não se exige a exclusividade a profissões ricas, acentuando assim uma disparidade injusta entre o saber puramente abstracto e o de imediata e rendosa aplicação profissional.

O ensino da mesma matéria em instituições particulares de ensino superior deveria ser permitido com maior largueza para facilitar a qualidade do ensino e a promoção de futuros docentes.

De outro modo, essas instituições de iniciativa privada vêem-se estranguladas por exigências de toda a natureza.

Durante mais de vinte anos e em regime autoritário, o Estado deu asas à imaginação criadora, sem o menor entrave, e aceitou sempre as alterações que a experiência aconselhava nos planos de estudo do ISLA.

Agora, não se pode alterar uma vírgula sem que uma burocracia distante se pronuncie, muitas vezes, sem o menor contacto com a realidade pedagógica.

Procurou-se sempre falar o melhor de acordo com os condicionalismos de momento. Iniciativas originais são, todavia, examinadas à lupa de perfeccionistas que exigem mais e melhor, longe das dificuldades que há que, no dia a dia, superar.

A situação legal é confusa: o Ministério da Educação exige qualidade; o Ministério do Trabalho reclama permanência para os docentes medíocres. É certo que o contrato colectivo actualmente em vigor já distingue, das outras a profissão de docente, submetendo os novos docentes a seis meses de experiência. Mas os instalados à sombra da legislação anterior, sem prazos para mestrados ou doutoramentos e que não deveriam passar de assistentes estagiários, perpetuam-se nos lugares, sem qualificação de serviço, reduzindo a uma rotina esterilizante o ensino que aspira à excelência.


Em todo o caso, o ISLA projecta-se no plano nacional da educação como uma realidade viva de que são testemunhos os milhares de diplomados que contribuem para dinamizar a actividade industrial e comercial do país.

A originalidade e o arrojo das suas concepções pedagógicas vêm prestando ao país serviços inestimáveis que o Governo só ultimamente começou a patrocinar.

Dentro de dois anos, vencidas as dificuldades presentes, teremos quatro escolas de nível superior; estaremos em mais centros, universitários ou não; continuaremos ao serviço da sociedade portuguesa que, essa, sempre nos reconheceu e patrocinou com cada vez maior afluxo de jovens que em nós justificadamente confiaram.

Depois de longas diligências conseguiu-se no Porto o que até há dois anos tinha sido impossível encontrar - uma instalação conveniente.

E não exactamente no Porto mas em Gaia, a cinco minutos da Praça da Batalha. Inesperadamente na véspera da abertura das aulas, fomos impedidos de o fazer por uma divergência de interpretação do texto legal sobre que artigo se aplicara ao caso, o 3º ou o 5º do Decreto 100B/85 de 8 de Abril. E julgando nós que tendo outras entidades universitárias "delegações" ou "centros de apoio" que permitiam o ensino legalmente reconhecido, o critério burocrático sobrepôs-se porque não se tratava de "delegação" mas "criação" de um estabelecimento de ensino superior.

Todo o trabalho insano de recrutar professorado, para três cursos, um deles de licenciatura, de equipar a escola com dispendioso material, de elaborar programas para cada disciplina, ficou inutilizado por este ataque de burocratite aguda, no cumprimento estrito de uma legislação que toda a gente sabe estar desajustada da realidade e aguarda apenas a oportunidade prática para ser alterada.

E assim se passaram dois anos de forçada inactividade e dispersão de docentes, que houve de mobilizar de novo para o novo projecto do ISLA-PORTO.

Graças à franca abertura do Director-Geral do Ensino Superior, algumas exigências absurdas à contratação de docentes foram postas de parte. E submetidos superiormente novos planos de estudo para os quais se aguarda confiadamente rápida aprovação, estamos esperançados em iniciar no Porto no próximo ano lectivo cursos de Secretariado de Administração, de Tradutores, de Recursos Humanos, de Matemáticas Aplicadas - Informática e Estatística, e de Ciências Empresariais, em alguns dos quais se rasgarão caminhos novos para a formação superior de agentes de transformação da sociedade portuguesa. Entregues a professores da mais elevada qualidade, esses cursos são testemunho do espírito de inovação que sempre constituiu lema do ISLA desde a sua fundação.

Terminado este encontro tão oportunamente organizado pelo Instituto de Humanismo e Desenvolvimento, aproveito o ensejo para publicamente anunciar ser nosso propósito de requerer ao Ministério da Educação tão superiormente orientado por um velho amigo que daqui respeitosamente saudo como uma personalidade ímpar cuja acção ficará a assinalar um momento alto na história da educação em Portugal, o propósito de requerer - repito - o estatuto de Universidade com o nome de ISLA - Universidade Empresarial.

Não é nada de estranho, já que o ISLA foi a primeira instituição particular de ensino superior fundada em Portugal há 26 anos. Quer dizer, como no dito popular, que antes de ser Universidade, já o era...  



CORPOS SOCIAIS, DIRECÇÃO DAS ESCOLAS E CORPO DOCENTE INICIAL DO ISLA


ASSEMBLEIA GERAL

    • Presidente – Dr. Rui de Fortes da Gama
    • Vice-Presidente – Dr. Francisco Alambre dos Santos
    • Secretário - Dr. Fernando de Mello Câmara Moser (Prof. Doutor)



CONSELHO FISCAL

    • Presidente – Prof. Doutor Mário Correia Teles de Araújo e Albuquerque
    • Vogal – Prof. Doutor Manuel Duarte Gomes da Silva
    • Vogal - Prof. Doutor Pedro Soares Martinez  



CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO

  • Presidente – Dr. Miguel Gentil Quina
  • Vogal – Prof. Doutor António Augusto Gonçalves Rodrigues
  • Vogal - Dr. Luis Pedro Pinto de Campos



Instituto Superior de Línguas e Administração - ISLA

    • Presidente – Prof. Doutor António Augusto Gonçalves Rodrigues



ESCOLA SUPERIOR DE TRADUTORES E INTÉRPRETES

    • Director – Dr. Fernando de Mello Câmara Moser (Prof. Doutor)



ESCOLA SUPERIOR DE SECRETARIADO

  • Director – Dr. Manuel Breda Simões (Prof. Doutor)



ESCOLA SUPERIOR DE ORGANIZAÇÃO CIENTÍFICA DO TRABALHO

  • Director – Prof. Doutor Adérito Sedas Nunes



ESCOLA SECUNDÁRIA DE FORMAÇÃO PRÁTICA

  • Directora – Dra. Irene de Albuquerque (Profª Doutora)



CORPO DOCENTE DA ESCOLA SUPERIOR DE TRADUTORES E INTÉRPRETES E ESCOLA SUPERIOR DE SECRETARIADO

    • Dr. Álvaro Luis Antunes Pina (Prof. Doutor)
    • Prof. Doutor António Augusto Gonçalves Rodrigues
    • Dr. António Jorge Gonçalves Rodrigues
    • Dr. António Braz Frade Henriques Barata
    • Dr. António Freitas dos Santos
    • Dr. António Gomes Monteiro dos Santos
    • Dr. António Monteiro Alves
    • Engº António Maria Ferreira de Castro
    • Dr. Eduardo Gonçalves Rodrigues
    • Dr. Fernando Leal dos Santos
    • Dr. Fernando de Mello Câmara Moser (Prof. Doutor)
    • Dr. Francisco António Carvalho
    • Dr. Francisco António Peres Coelho
    • Pe. Francisco Videira Pires (Prof. Doutor)
    • Dra. Hannelore Correia
    • Dr. Gabriel Fernando Martins de Mesquita Gabriel
    • Dr. Godofredo dos Santos Marques dos Reis
    • Dr. Herlander Lopes Duarte
    • Dra. Irene Truninger de Albuquerque (Profª Doutora)
    • Dr. João António da Fonseca Ferreira de Almeida
    • Dr. João José Guimarães Assédio
    • Dr. José Manuel Coelho Varela Barrocas
    • Dr. Jean Haupt
    • Jeanne Adler
    • Dr. João David Pinto Correia (Prof. Doutor)
    • Dr. João Pinguelo (Prof. Doutor)
    • Dr. Joaquim Santana Mendes
    • Dr. João Ernesto de Almeida Flor (Prof. Doutor)
    • Dr. John Deakin Hampton
    • Doutor Jorge Borges de Macedo (Prof. Doutor)
    • Doutor Jorge de Morais Gomes Barbosa (Prof. Doutor)
    • Dr. José Henrique Ferreira Marques
    • Dr. José Manuel Sérvulo Correia (Prof. Doutor)
    • Dr. José Marques de Matos
    • Dr. José Vitorino de Pina Martins (Prof. Doutor)
    • Dra. Júlia Dias Ferreira (Prof. Doutora)
    • Dr. Licínio Alberto de Almeida Carvalho (Prof. Doutor)
    • Dr. Luis Alberto Carvalho Fernandes
    • Maria Beatriz Roçadas Dias Feller
    • Dra. Maria Emilia Bastos Rodrigues
    • Dra. Maria Leonor Homem Teles
    • Marie Antoinette Dufour Póvoas
    • Dra. Maria Helena Paiva Correia (Profª Doutora)
    • Maria Hélène Isabelle Bouquet
    • Dra. Maria Salomé Machado
    • Doutor Mário António Soares Madureira (Prof. Doutor)
    • Dra. Prímula Vingiano de Pina Martins
    • Dra. Rita Iriarte
    • Dra. Simone Paulette Marie Pujol
    • Sue Charlton


voltarvoltar